segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Marcas

Aquelas mãos enrugadas representaram uma espécie de espelho do futuro. Serviram para chamar a minha atenção de que o tempo passa e que não pode ser desperdiçado. Que não devo mais deixar de dizer aquela palavra presa na garganta, de olhar para onde pode estar a minha felicidade, de esconder sentimentos como se eu fosse indiferente a tudo.

É impressionante como um simples olhar atento consegue ver além do que a obviedade permite. Ou uma audição mais atenta também. Hoje, por exemplo, voltando de João Pessoa para Campina Grande, escutei de um ex-professor no ônibus: "De uma hora pra outra, todo mundo se dispersa." E não é que é verdade! Ele se referia às turmas da faculdade. Quando penso um pouco nisso, percebo que não vejo mais quase ninguém da famosa turma "Imprensa que é gostoso!". Foi esquecida até a vontade que tinha de reunir todo mundo para um encontro anual. Fez-me lembrar de novo...

Indo mais além, também não vejo mais nem os meus amigos de infância! E dispersaram-se todas as outras turmas de que fiz parte. Assim como se dispersarão as que hoje faço parte. A quebra das linhas e laços geográficos são naturais... Mas totalmente reversíveis.

Um dia minhas mãos vão ficar daquele jeito: sem a elasticidade da juventude e cheias de marcas de uma vida. Que sejam boas as lembranças gravadas nelas, pelo menos...

sábado, 7 de novembro de 2009

Alarme

De repente, vi que era um sonho.
Inclusive a sensação de bem-estar.
Foi tão bom, que tentei voltar.
Mas o sono não vinha e nem o sonho.
Bem que poderia continuar comigo acordado.
Estiquei o quanto pude.
Aproveitei-o ao máximo.
Quem dera se estivesse ao meu controle.
Não acordaria tão cedo...
Oito horas num final de semana de folga?!
Não agora!
Percebi que é ruim sentir saudade do que não se tem.
A realidade bem que poderia ser igual a noite de ontem.
E quem disse que não pode ser?
À luta!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mudança


Pensei que não mudaria mais de casa, até que percebi que necessitava...Juntei as tralhas e fui, sem medo de perder nada e pronto para ganhar.
Para trás, algumas das lembranças mais felizes e mais tristes que tive.
Não vou esquecê-las, mas lá vão estar ao menos fisicamente longe de mim; digo as más.
Um dia posso voltar, mas espero estar sempre mais forte para enfrentar tudo...
Inclusive as novas mudanças que, com certeza, virão!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Carta aos amigos

Caros amigos,
Sei que tenho estado afastado nos últimos tempos. É que tive de focar o meu caminho profissional e, infelizmente, ele me levou para longe geograficamente de vocês. Mas digo que não os esqueci. Só a minha comunicação que não está sendo muito praticada; logo eu, um profissional de comunicação... Desde o início do ano, muita coisa tem acontecido na minha vida e a maioria delas estão relacionadas a minha profissão. Saí de um estágio super bem proveitoso em Campina Grande, tive de mudar de vez para João Pessoa e logo comecei a trabalhar por lá. Quando achei que começava a fincar meus pés no chão litorâneo, vem a notícia de que voltaria para a serra da Borborema. Volto com um sentimento de que tudo era novo pra mim, inclusive a cidade que já conhecia de um ano de residência...
Mesmo morando um curto tempo na capital, não achei tempo nem coragem para visitar sequer um dos meus melhores amigos; de infância. Já não bastassem os da minha terra natal, Alagoa Grande, esquecera um pouco também os que conquistei em Campina Grande. Elegi como prioridade um emprego e estou a cada dia atingindo esse objetivo. Quero que saibam, caros amigos, que são mais do que prioridade pra mim: são necessidade de vida. Sinto falta, sim, das conversas, da companhia, da confiança, do porto seguro que sempre encontrei em vocês.
Perdoem-me se não mando notícias. Mas estou bem. Estudo uma reorganização dos meus horários para visitá-los um por um e voltar fortalecido. Dia desses recebi ligações de três de vocês e isso me fez atentar para o quanto sou querido. Saibam que podem contar comigo sempre.
Espero encontrá-los bem também.
Abraços,
Clébio Melo

sábado, 20 de junho de 2009

Preparação

Vivo me preparando para alguma coisa.
Quando surgiu a oportunidade; para tentar.
Quando tentei, para me decidir.
Quando, enfim, tomei a decisão; para ir.
Quando já estava lá; para mudar.
Preparei-me para continuar e avançar.
Quando tudo terminou; para o fim.
E já no final; para o que viesse.
Eu me preparei para o que conhecia,
para o que não conhecia,
para quem conhecia e para quem sobre nada sabia.
Mudei de novo.
Tentei me preparar para ficar.
Consegui.
Tentei me preparar para lutar.
Fiquei mais forte.
Tentei avançar...
E me enganei.
Falei, ouvi, observei.
Errei muito!
Mas acertei muito também.
Preparei-me para caminhar.
E embora caminhando não saí do lugar.
Por mais que eu me prepare,
parece que não estou preparado ainda.
Decidi não me preparar mais.
Quem sabe seja esta a melhor preparação...

Fogueira

Fiz uma fogueira e a acendi.
Queria jogar nela toda a ansiedade que sinto.
Mas, por enquanto, só o meu juízo queima...

sábado, 13 de junho de 2009

Ao avesso

Perdi os sentidos.
Meus ouvidos não enxergam mais como antes,
nem meus olhos conseguem falar mais.
Não sinto mais o gosto do vento na pele
e nem consigo andar com meus pensamentos.
O gosto do cheiro nem o cheiro do gosto,
não sinto mais.
Tenho a impressão de que algo está errado comigo...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Teatro

Foto: internet

O espetáculo não tem hora para começar.
Quando perde o foco do pensamento,
sobe no palco com as cortinas fechadas,
cerra os olhos e se prepara para o texto.
Nada de scripts, tudo é improvisado.
Prova de que é um ator experiente...
Abrem-se as cortinas e o ator olha para a plateia.
O espetáculo é um monólogo baseado em fatos reais.
Na plateia, apenas um espectador!
O ator, então, desanda a falar sem emitir sequer um som.`
É no pensamento que fala, grita, sussurra.
E chora e ri e reflete e se emociona e emociona...
Ele fala de situações da própria vida;
discute, pondera, avalia consigo mesmo.
Mas uma coisa chama atenção nesse espetáculo:
ator, personagem e espectador estão num mesmo corpo,
contrariando a física...
Trato de questões da minha vida comigo mesmo.
No momento, considero-me o meu maior cúmplice.
Um momento, o espetáculo acaba.
Daí, vêm os aplausos e/ou vaias,
o agradecimento ou frustração do ator,
fecham-se as cortinas e limpa-se o rosto do pesonagem.
As luzes se apagam e o espectador volta para casa.
Como não tem palco fixo, a qualquer hora
um novo espetáculo pode ser iniciado.
Até a próxima, então, e vá à merda!`
É uma gíria de teatro e significa "boa sorte", acredite...

sábado, 23 de maio de 2009

Fortalezas

Fonte: internet



Faz tempo que não vejo o mar.
Nem aqueles movimentos suaves e contínuos,
nem aquele azul vivo que une céu e água no horizonte.
Fazia tempo que não sentia aquele friozinho gostoso.
Aquele que só uma forte chuva e o tempo "pesado" trazem.
E que parece deixar o nosso organismo mais lento.
Pensa-se, come-se, anda-se, fala-se lento.
Talvez por isso as chances de acerto no frio, creio, sejam maiores.
No frio não há a pressa e afobamento tão característicos do calor.
Hoje sinto um pouco de frio. Ah, que saudade!
Não é aquele frio intenso, mas serve para quem está acostumado a um calor excessivo...
A chuva e o frio que dela faz parte e o mar são duas de minhas fortalezas.
A natureza em sua totalidade é a maior de todas.
Sinto falta da cumplicidade perfeita dessas duas fontes de força.
Nem o frio nem a chuva precisam que eu vá de encontro a eles.
Já o mar, este sim, não vem até aqui.
Até consigo ouvir o som e ver o mar se fechar os olhos.
Mas o cheiro, a pele da brisa, a água nos pés, a massagem das areias, não.
Tampouco a realidade de ao abrir os olhos, ver que tudo aquilo está diante de você!
Faz tempo que não vejo o mar.
Bem que ele podia vir ao meu encontro...

domingo, 17 de maio de 2009

Caminhos

Foto: internet

Meu caminho estava reto demais.
Qualquer pessoa mais atenta desconfiaria...
Tudo aparentemente nos trilhos, certo.
E eu não percebi nada.
De tão certo, repentinamente, mudou.
E no caminho reto, apareceram algumas pedras e rachaduras.
Parei diante delas para pensar no que fazer.
Não costumo tomar atitudes impensadas.
Resolvi mudar as estratégias.
Olhei para os lados e enxerguei vias secundárias.
Elas não eram retas como a que estava.
Pelo contrário, desniveladas, tortuosas e cheias de espinhos, pedras e rachaduras maiores.
Encarei como desafio e mudei o caminho.
Mas o ponto de chegada não foi alterado.
O destino permanece o mesmo.
Estou certo que por aqui ficarei mais forte para ser coroado com louros no pódio.
Pode demorar um pouco, mas a gente se vê mais na frente!