Aquelas mãos enrugadas representaram uma espécie de espelho do futuro. Serviram para chamar a minha atenção de que o tempo passa e que não pode ser desperdiçado. Que não devo mais deixar de dizer aquela palavra presa na garganta, de olhar para onde pode estar a minha felicidade, de esconder sentimentos como se eu fosse indiferente a tudo.
É impressionante como um simples olhar atento consegue ver além do que a obviedade permite. Ou uma audição mais atenta também. Hoje, por exemplo, voltando de João Pessoa para Campina Grande, escutei de um ex-professor no ônibus: "De uma hora pra outra, todo mundo se dispersa." E não é que é verdade! Ele se referia às turmas da faculdade. Quando penso um pouco nisso, percebo que não vejo mais quase ninguém da famosa turma "Imprensa que é gostoso!". Foi esquecida até a vontade que tinha de reunir todo mundo para um encontro anual. Fez-me lembrar de novo...
Indo mais além, também não vejo mais nem os meus amigos de infância! E dispersaram-se todas as outras turmas de que fiz parte. Assim como se dispersarão as que hoje faço parte. A quebra das linhas e laços geográficos são naturais... Mas totalmente reversíveis.
Um dia minhas mãos vão ficar daquele jeito: sem a elasticidade da juventude e cheias de marcas de uma vida. Que sejam boas as lembranças gravadas nelas, pelo menos...
Uma vida em duas horas
2 meses atrás



